peixe píncaro

adoro citricidades e sinto que o sabor ácido causa um tipo de pico em algum lugar, alguma topologia sináptica. estávamos eu e meu pai lambendo os beiços e exercendo o comentarismo pós-prandial, e ele comentou que nunca tinha visto peixe com alecrim. eu disse a ele que meu jeito de cozinhar é assim: eu penso nos meus sabores favoritos e vou juntando tudo (o que é verdade, mas convenhamos: peixe com alecrim é bastante comum, provavelmente por dar certo). muitas vezes, eu erro no preparo das coisas que imagino, mas acho que nunca na combinação dos sabores. hoje fiz uma tilápia de forno e purê de batatas. a tilápia eu fiz assim: preparei manteiga derretida com uma pitada de alho em pó, uma meia pitadinha de pimenta branca, um pouco de tomilho fresco e meio limão siciliano espremido. pincelei nos filés. a outra metade do limão eu fatiei e coloquei no fundo da assadeira untada (com manteiga). também peguei um resto de cebola e coloquei as fatias no fundo. os filés foram por cima. coloquei por último nos filés: sal e alecrim fresco arrancado da parte de baixo dos ramos. os ramos de alecrim, pus pra rodear tudo (usei uma fôrma circular). assei com papel alumínio no fogo baixo por uns 15 minutos, depois tirei o papel e pus no fogo alto por mais uns 10-15. como esperado, a cebola e as fatias de limão caramelizaram, a casa inteira ficou com cheiro de alecrim e o peixe, embora não tenha dourado, ficou no ponto certo. na hora de servir, tirei umas alcaparras e lambuzei na manteiga da assadeira. o purê eu fiz assim: fervi as batatas descascadas e picadas, depois de moles passei pelo espremedor numa tigelona de vidro e na própria tigela joguei sal, manteiga, alho em pó, salsa desidratada e um pouco de pimenta do reino moída. afofei tudo com garfo. só. a combinação ficou justa justa. se alguém estiver lendo ainda, uma dica importante: as rodelas de limão siciliano do fundo caramelizam, brilham, coruscam (metaforicamente) e devem ser sumariamente comidas junto com o resto. pus no prato também um pouco do arroz fresquinho que meu pai fez e um pouco de brócolis no vapor. bebi junto umas duas taças de chilano cabernet sauvignon branco (é barato, tanto em sp quanto bsb não passa de 25 reais – e tem um gostinho de refri de adulto, meio maçã verde, sem ser doce).

mousse de chocolate de aquafaba

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existem mil receitas de mousse de chocolate feita com aquafaba pela internete, então fiz o que deu pra fazer aqui. usei uns 150 ml de aquafaba, umas 100g ou menos de chocolate 70% cacau da marca tabajara (quer dizer, neugebauer), um punhadinho de açúcar orgânico, um xó de vinagre de arroz e uns dois pingos de essência de baunilha. o borogodó da aquafaba é batê-la até ficar com consistência de clara em neve, ou seja, até fazer picos. a minha não fez de jeito maneira. acho que foi porque coloquei o açúcar antes de começar a bater. segundo a internete, tem de ir colocando aos poucos depois, quando a coisa já estiver começando a virar espuma. o vinagre serve pra ajudar a aquafaba a aerar e é, na verdade, uma substituição para o creme tártaro. sumo de limão também funciona. enfim, noves fora, mesmo com um merengue de aquafaba meio chôcho, minha mousse ficou linda, aerada e deliciosa. muito boa mesmo. ah sim: aquafaba é água de cozimento de grãos (principalmente grão de bico, favas e feijões – eu usei a água que sobrou do grão de bico que cozinhei dia desses pra fazer hummus).

“bolo” de cousas adocicadas

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passei o fim de semana praticamente só dentro dos 25 metros quadrados deste aqui pardieiro. bode há de surgir aqui e acolá. enfim, pra não permitir que me exceda em trabalhar e procrastinar em posição fetal, fiz algumas coisas na cozinha para o meu eu futuro. fiz arroz com ervilha para acompanhar o feijão que fiz ontem. fiz um pote de molho pântano (com tahine). finalmente, resolvi deixar algo meio doce preparado, caso me dê ganas de açúcar pela semana adentro. o toletinho acima contém: farelo de aveia, leite de coco, chia, essência de baunilha, óleo de coco, damasco seco, cacau em pó, canela, banana amassada, um pouco de açúcar cristal orgânico. a chia foi hidratada no leite de coco. de resto, é só misturar tudo e inserir no forno. ficou melhor do que eu imaginei que fosse ficar.

arroz meio cocotinho + lentilha + batata não-frita + cebola pipocada

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havendo comido ontem à noite o resto do arroz com os mesmos acompanhamentos do almoço, hoje tive de recomeçar do zero. decidida a preparar alimentos para durar mais uns 2 dias, quem sabe, resolvi fazer arroz e lentilha. separadamente. de fato, consegui fazer uma quantidade que deve servir de base para as próximas 2-3 refeições.

ARROZ MEIO COCOTINHO

como o arroz de ontem, coloquei ervilhas neste para aproveitar que ainda tenho mais de meio saco de bolotinhas no congelador. mas fiz com arroz camil comum. é só isso: preparo o arroz como faria normalmente, mas coloco as ervilhas direto do saco.

LENTILHA CAUDALOSA COM CANELA

fiz as lentilhas na panela de pressão com os seguintes temperos: pimenta síria, cúrcuma e canela em pó. coloquei sal e alho, mas não coloquei cebola.

BATATA NÃO-FRITA

só tirar as batatas congeladas do saco e dispor numa assadeira, depois forno por uns 30 minutos e pronto. joguei sal e pimenta do reino quando já estavam no prato.

CEBOLAS PIPOCADAS

fritei bem as cebolas com óleo de coco, sal e noz moscada até ficarem com aparência bem chamuscadinha.

MOLHO PESTO DE COENTRO COM TAHINE

quem me conhece, sabe que costumo chamar a versão costumeira deste acompanhamento de “molho pântano”. enfim, o mesmo molho pântano acrescido de tahine que fiz ontem serviu de pièce de résistance do pratão de hoje e ainda estava ótimo.

refogado sesâmico + arroz cocotinho + pesto de coentro com tahine

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hoje, quis muito comer verduras variadas. depois que diminuí os produtos de origem animal, andei comendo muito arroz com feijão e couve (e, às vezes, banana crua ou frita, ou então batata frita). então, pra aumentar o teor horticultural da coisa toda, quis fazer um pratão com muita verdura, mas também com um arrozinho reconfortante, pra acalentar meu coração friorento. antes, este prato teria frango junto com as verduras. para dar uma abrilhantada no sabor e me ajudar a não sentir falta do galináceo, decidi fazer o pesto de coentro que sempre fazia com um borogodó a mais: tahine. esta é a primeira “receita” que posto aqui, então friso: não vou ficar colocando as quantidades pois não sei cozinhar assim, por mais que às vezes eu erre a mão. ou o braço. enfim. aí vão os ingredientes e uns dois dedos de plá sobre como preparar:

PESTO DE COENTRO COM TAHINE

ingredientes: coentro fresco (pode jogar um pouco de talo junto, não tem problema), sumo de limão tahiti (mas com limão cravo também funciona), tahine, azeite, alho (desta vez usei alho amassado pronto), sal e uns temperos variados (acho que coloquei pimenta vermelha mexicana em pó, um pouco de pimenta síria e cúrcuma). se tivesse gengibre em casa, eu teria jogado na mistura, mas foi justamente aquele 1 ingrediente que me esqueci de comprar (e costuma ser o que sempre tem em casa).

preparo: bater tudo no liquidificador até ficar bem homogêneo.

REFOGADO SESÂMICO

ingredientes: óleo de gergelim torrado, acelga, repolho, brócolis americano, couve-flor, cenoura, pimentão amarelo, bulbo de cebolinha (também fica bom usar alho-poró), sal.

preparo: refogar tudo no óleo. eu coloco primeiro o bulbo de cebolinha ou o alho-poró, logo depois a cenoura e a couve-flor. um pouquinho depois, o brócolis e o repolho e sigo com acelga e pimentão. quando já tá quase pronto, coloco também (às vezes) a parte verde da cebolinha. o sal eu coloco quando todos os ingredientes já estão na frigideira e vou corrigindo.

ARROZ COCOTINHO

ingredientes: arroz japonês (também fica bom com arroz basmati), ervilhas frescas ou congeladas, leite de coco, vinagre azuma-kirin (de arroz).

preparo: faço o arroz japonês segundo as instruções, mas coloco metade água e metade leite de coco. as ervilhas eu acrescento no meio do cozimento, pra não ficarem muito moles. o vinagre (só um pouquinho) vai quando o arroz já está cozido: é só colocar, misturar e tampar a panela por mais uns 10 minutos.