sin nombre

la nada santa penseva que não fosse tanatos mas claro que esgoto
te quero morto me muero menos mas quero enfim e se a santa te pega
a mim nunca mais abantesmar quizá porque nunca te cri mesmo
te conjurei yo la nada soy la vacía la vaca te esconjurar depois
de eco alejado de pesadilla aleimada de incredulidade e horror
vieste latir até na boca da callega la viva eugenia
latiu da boca dela da boca dela da boca dela

 

***
para a.s. / sp capital, 2016

o que as mulheres fazem aos domingos?

as mulheres
como nós
ocultas
aos domingos

vadiam

o quanto podem
a qualquer hora

e sozinhas

conjuram demônios

se despem das peles

furam bonecos

viram sirenas

arpejam

arrastam móveis

afiam facas

desaparelham-se

criam olhos no rabo.

as mulheres
ocultas
aos domingos
como nós

têm um duplo
que sorri

e conversa

e cozinha

e afaga

e se esquece

enquanto
a outra

bebe
sôfrega
da fonte
da imortalidade.

ersatzspielerin

teimo em não acender a luz, encalhada
sem saber se quem – eu ou o mundo
é suplente de algo primevo
se o que existe é a tensão ou
degrau de recursividade.

o violento da memória é a retenção do vazio.

penso em palavras multiportantes, como não me escapa fazer:
merimnologia, ou: considerar é arder.
mermeridade, ou: ansiar é condenar-se.
metameridade, ou: a parte pelo todo.

palavras me procuram, procuram a nós
porque as salvamos de um desígnio adjunto
nos lançamos aos fins da tensão.

me vejo merócrina, exocito
e a elas entrego
qual impostora estertorada
o grau primeiro das coisas.

resumo do figo

segundo me apareceu um francisco, em des-língua:

um figo, ao se mover, cada vez mais se encarna.
o moto permite, assim, ao figo, que se materialize quanto mais é lavrado.
o moto engoliu a flor querendo ser figo.

nem mimosa nem mimese, re-sumada, posta em movimento, ressuscita, a-sumo.
recorpórea e des-frutada, em passos recursivos, des-comida, re-saboreada.

assim a metapalavra figo, conforme des-disse francisco.

 

[um poema ecfrástico para ponge]