refluxo

a polaridade do tarugo
outrora atrator
se reverte e o torna
corpo centrífugo
cuja gravidade antiga
em resíduo ou miragem
esta touva sorveu.

monolito recumbente
tablete empunhado
(sua extensão rômbica
juntos entronizados)
ladrão de minutos
escondido nas horas
comutador de polos
se fez bode expiado.

gravidade era peso
furor era medo
olhar era fuga

– buraco negro
do mistério alheio.

[imagem: artemisia gentileschi]

ressaca-rebôo

carta selenográfica aponta em mare imbrium noturno a guarda
por enorco dragão (ou trono), assentada em provisões ou projeção
de uma horda de ex-votas, avivada pela moraça pelágica

a cabeça submersa, dioniso berrador, capitula pontos e copas
conservado em winedark sea minutos a fio, a contagem das noites
o engrandecimento das memórias ou vistas à distância baça

cratera em eterna formação aceita todavia objeto celeste
protoplaneta de substância coloidal e densa, e coesa
no seio palustre o impactor corpo que se encastra

em baía fervilhante, intenso bombardeio oportuno e auspício
de cornucópias desplangentes e néctares férteis de mina
a superfície rasgada, a vaga motor de vagas, além-vida

scintilla animae

não ter a gravidade de duas patacas
que atingem o piso e tilintam

ter a gravidade sim de um crânio
plumbum,! ponderoso gongo

cujo grau de dureza veio do
crescimento endógeno do tempo

entremeando-se dobras sobre dobras
nos regos e axilas das curvas

dos 2 polos que mal sabem de suas
encruzilhadas nomeadas teimosamente

como relações de acesso
entrepostos de mundos possíveis

cancros de teoremas que são
agonia dialogia tritonia

ou broma rastelada de fulcro
do castelo da arcada de sonho

diaconisas em santidade forjada
bigorna sobre meu coro

enquanto imagem dobrada
como desdobrar os urros

de um desejo esquecido
dos pinotes avizinhados

selo grande, revém têmpera
alma grossa de ossatura

dos ritmos sincopados
disto que se diz fêmea

está tudo demasiado opaco
está tudo finalmente

finalmente enganado

hileia, nosso humble abode

seus grassos frutos de pele fina
polpa de refugo
chinchulina colostral
quem se aburra? quem será ingerido primeiro?
estamos em jejum, perdão, diria a tripa de podreres
espumas e pipocos de gás no bucho inflamado,
stufffados, ingerências à parte.

mas o miasma não mente: tem algo de pungente
no reino das pizzas en regalia
e a bestafera tripartite sofre de comorbidades digestórias:
tricotilomania & refluxo
decorrentes carepa nas barbelas
e aliento de saburra.

mas no cardápio temos apenas
os frutos de pele fina e sebolhosos
servidos em bandejas importadas
da lenda dos fri, home dos bravo
sinto afirmar, mas recomidos estamos todos
e enterinos semo-nos, gravitástricos
no sumo dos viraláticos peristaltas.


***
são paulo/maio e junho de 2016

slant

o que se guarda refém do pretenso
por precaução, talvez
se cifra

subscrever

naquele cabo
geográfico
telegráfico
fantasmático

mar adentro com dorso rente à superfície

ele existe como relance

relesponto

que se avista talvez com espéculo

nele remanescente
esta compota
aos que miram
pelo subscrito
lança como jinxes
as cifras mar afora

esperando prescrições exatas
maquinários
buckybolas e fulerenos
cogstações
algoritmos

que desestacionem o medramingua batendo ao cabo

os enjoos e engulhos do mar

esta mesma cenota
que mais enoja do que deseja
que muito menos necessita

sigilante
não é mina
é fossa
com seu submerso atlantis élansponto
seu novelo de guarda
bagagem cerebérica despontada
pânica cabeça em sua recipiência

já sã como lince
[monócula]
ou como pirata esterça

jamanta na testa
demonha

sin nombre

la nada santa penseva que não fosse tanatos mas claro que esgoto
te quero morto me muero menos mas quero enfim e se a santa te pega
a mim nunca mais abantesmar quizá porque nunca te cri mesmo
te conjurei yo la nada soy la vacía la vaca te esconjurar depois
de eco alejado de pesadilla aleimada de incredulidade e horror
vieste latir até na boca da callega la viva eugenia
latiu da boca dela da boca dela da boca dela

 

***
para a.s. / sp capital, 2016