compilado de peidos mentais advindos de redes sociais de 3 anos atrás, mais ou menos, para comemorar o dia em que decidi vir para são paulo e abraçar o estado do perpétuo cansaço

 

unconscious biases: todo mundo tem, que nem um ocasional chulezinho.

não aguento quando escrevem “pré-conceito” como se fosse grande novidade que “preconceito” contém o prefixo “pré” e esse prefixo de fato serve um propósito.

a imobiliária se chama moura dias.

gente, só esta semana (e ainda é quinta) já me impedi várias vezes de postar coisas apontando defeitos da vida, do ser humano, da embalagem de goiabada, do ego, dos outros, de tudo. tem hora que dá muito medo do espírito do nosso tempo.

Homem na fila: “minha namorada tem 94 anos. Dança forró a noite toda. E come uma rapadura inteira!” ♥

por que todo mundo que canta samba abre os braços que nem o cristo redentor?

trabalhando e pensando besteirol: os aviões quando se deslocam deixam uma esteira de turbulência, que é um vortex de ar. daí me lembrei de uma história segundo a qual, quando alguém solta pum e anda, vai fazendo um vortex atrás de si (e por isso que recomendam uma retirada a la siri, de lado, quando isso ocorre). pois é, gente, quando estiverem andando no xopis nessa época de natal, cheia de gente, tomem cuidado com as esteiras de turbulência! recomendo aplicar mínimos de separação razoáveis.

pagar pra ver: realização de complexidade inerente?

nem todo virtuosismo é estéril e nem tudo o que vem cru das tripas é aproveitável

dica (principalmente para acadêmicos e jornalistas): diferença não é contradição.

filosofia de facebook do dia: se diz que quanto mais você se desvencilha da influência dos outros, mais verdadeiro você é. que verdade é essa que só aparece quando se tenta desvencilhar daquela coisa que faz a gente mais gente, que é o coletivo? dá pra fazer analogia com habitat natural vs laboratório? não gosto muito de analogias.

Nada de sono. Pensando que o apego é sempre obsoleto. Ou uma paralaxe.

sonhei que tinha neve em brasília e uma guerrilha deixava bombas em origamis

paisagens internéticas: cobrança até perder de vista. monocultura de “eu não disse?!”

alguém recomenda boa leitura sobre ódio reabilitado? sobre conflito? ou uma defesa do imoderado? um exposé da razoabilidade?

voltei da padaria com saudade do significado da palavra ‘absurdo’.

às vezes a gente acha que conseguiu algo por causa de alguém mas na verdade conseguiu apesar de alguém. #boom

que vocês acham? parece que nossa geração tá mais preocupada em ser não-convencional do que inconveniente.

redenção: que palavra horrenda

A grande beleza está nos cinismos entusiasmados, essa urgência de muitas pequenas e grandes mortes.

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everything’s alright

fiquei sabendo de mais um pacote de instâncias em que influenciei positivamente e construtivamente, porém nos bastidores, as vidas dos outros e acabei mexendo também com a vida social da cidade onde morei.

parece que, quando me ponho para funcionar deliberadamente, é sempre na direção errada, ou ligeiramente torta, e acabo em lugares difíceis e transitórios com frequência.

mas agora sei de várias coisas que fiz sem colocar reparo que levaram a lugares muito mais estáveis, levaram a coisas construídas e que criaram ondas irradiadoras. foram muitas.

todavia, não é bem esse tipo de repercussão que o horror do ego quer. e, no entanto, em contrapartida, é o tipo perfeito de repercussão: sem responsabilidade real, sem pressão, protegido pela naturalidade.

de onde eu adolescente tirei que seria algo notável? foi só privilégio? duvido. de onde, e no entanto por que tão medrosa e jacu ao mesmo tempo? das pessoas de quem gosto, sou a que menos faz alguma coisa.

e gosto da minha própria pessoa, não me incluí por acaso. como parar de fazer as coisas deliberadamente? é preciso parar de decidir e planejar, pois isso raramente leva a algo perene.

quem faz as coisas de verdade não decide e planeja, só faz. mas parece que decide e planeja, enquanto essas duas atitudes são, na realidade, para essas pessoas, só parte do fazer.

nunca fui pessoa de fazer, nem criança, meu decidir e planejar são sempre projeções e não componentes ou stills da ação. logo, não há muito o que escolher agora como reação, só há escrever estas bobagens de mau gosto.

ida-entidade

as pessoas afinal não mudam se quem examina assim quiser examinar assim com foco na dimensão do espaço em cada tempo e não dos tempos em cada espaço. todavia a identidade é provisória e o que vive é o desfile de idas entidades a cada tempo glissando com o de antes e o de depois. gertrude stein não gostava de substantivos porque são indexicais e arbitrários e gostava um pouco mais mas quase nada de adjetivos porque servem ainda mais arbitrariamente aos substantivos já arbitrários e porque todos esses indexicais são simplesmente enumeráveis mas não componíveis e stein gostava de compor. acontece que não conheço outro jeito de realmente existir que não seja compondo voluntariamente ou não e o assinalar de indexicais serve para várias coisas que não são exatamente o existir mas são acessórios de preencher o existir. não sei como ser com identidade pois existiram vários tempos nos espaços que ocupo e eles se confundem porque sou dotada de memória e sei pensar somente de forma inacabada o que gera dúvidas e assim só posso dizer que existo em termos de idas entidades. me perdoem mas não sou poeta nem brasileira nem branca nem solteira nem poliglota nem medíocre nem sequer tradutora ou mulher nem filha de ninguém nem irmã nem tia nem neta nem sobrinha nem parente coisa alguma não sou amiga nem ex-namorada nem esfomeada nem reservada nem fetichista nem recalcada tampouco obsessiva nem malamada nem calipígia nem monocular mas tenho corpo tenho órgãos tenho um olho que uso e outro que não de resto existem várias possibilidades verbais, preposicionais, pronominais, adverbiais com ou sem mente e todavia sigo chafurdando nos substantivos mas sem índex definido sem remissão exata sem correspondência só glissando pois não há que sentido fazer há que coisa fazer e assinalar mata é assim que metáfora vira nome.

cogito aversoado e sem poesia

exercitar o silêncio

não é calar

é ouvir sem atropelo.

bradam “sejamos mais racionais”

mas

qualquer razão que parte do empírico

jamais será QED perfeito.

e este mundo dos fatos:

  • fatos da práxis
  • fatos da psique
  • fatos das tripas

por mais atentamente que se lhe observe

nele um observador ainda é um só

observador.

não vejo muita coisa

menos racional

de que confluí-los:

um vai prevalecer

o de maior gravidade

assim cultuado

por tão pouco

por sua pelagem

pelos imponentes bagos

e por ser treinado para morder duro

alinhavar suas arengas e retóricas

com presunção de razoabilidade.

mas não é pra se acanhar.

se quiser, fale, articule, mas ouça.

se quiser mesmo derivar

a lógica de fatos,

come and see:

o axioma mais perfeito

para engatar arrazoado

será, para funcionar,

imperfeito:

algo qualquer que admita

que não se fala

com integridade

dos fatos

com a razão puramente.