ravil lapiseiras e canetas

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estava fazendo meus fichamentos hoje e notei que as minhas canetas de fichar (que são as mesmas de autografar livro) estavam realmente acabando. fim da reserva, mesmo. aí resolvi ressuscitar minhas canetas não-descartáveis: uma lamy roller ball que ganhei do meu pai há décadas, uma cross tinteiro que ganhei de um ex ryko tem uns 15 anos ou mais e uma lamy esferográfica que me dei de presente quando estava por londres em 2011. perguntei ao guga (aquele site de busca) onde podia achar essas cousas e descobri uma tal casa do projetista aqui perto. foi bem curioso ir até lá, pois estou numa névoa de fenergan e com as pernas inchadas (ah, alergias…) e o fato de a tal casa do projetista ser no 13o andar de um prédio desses imponentes do centro, mas que a gente nunca vê (galeria califórnia) me fizeram achar a coisa toda muito mais kafkaesca do que uma saída para comprar carga de caneta deveria ser. a balconista me avisou que é difícil achar essas coisas e me dirigiu pra uma loja ali na rua xis, logo depois do outro acesso da galeria (que não aquele por onde entrei). o balconista desse outro local não encontrou o que eu queria, mas logo o dono chegou, viu minhas canetas e disse, com ares de segredo: “isso aí só na são joão número 33”. apesar da névoa fenergânica e das pernas embalonadas, resolvi fazer a jornada. já havia saído de casa mesmo. mas antes passei na kalunga só pra tirar teima (a teima provou-se somente teima pois não havia coisa alguma que me servisse, nem as canetas descartáveis tipo nanquim que costumo usar). o caminho até a são joão número 33 foi realmente sofrido, uma descida infernal, só porque o drama ajuda a narrativa (bom é que não foi, afinal, o centrão de são paulo infelizmente não tem atmosfera, mas sim uma nuvem de cocô pulverizado). o local é no edifício martinelli e é só uma portinha. teria batido foto se não tivesse obedecido minha regra de não sacar o celular fora em plena rua em são paulo. mas muito aquilo que se espera, minivitrine cheia de potinhos de nanquim de várias cores, caixinhas forradas de papel camurça e canetas de todos os tipos de ponteira e calibre. quem me atendeu foi – presumo – o dono, um senhor bem idoso que tem ou parece ter kajal estilo maquiagem permanente ao redor dos olhos. enfim, comprei carga pra cross (40 pila) e não tive coragem de comprar pras minhas pobres lamy. quase 50 reais cada carga de lamy, cáspite. por isso voltei com essa vermelhinha aí também, que é uma roller ball fina e custa 3,99. depois eu volto lá pra largar 100 pila em prol das lamyzinhas. saí sem saber ao certo se vale a pena financeiramente e ecologicamente recarregar essas canetas grã-finas. carga também vira lixo, afinal, e acho que o tempo de uso é menor do que o das canetas descartáveis. fim da história, não tem moral nenhuma. ah, mas visitem a ravil lapiseiras e canetas se forem passear por ali. o dono me disse que o movimento diminuiu muito e que inclusive a lamy tinha parado de ser distribuída no brasil porque não tinha representante (não tinha representante porque ficou caro e ninguém mais comprava). mas voltou em capacidade reduzida, pelo que ele disse.

mousse de chocolate de aquafaba

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existem mil receitas de mousse de chocolate feita com aquafaba pela internete, então fiz o que deu pra fazer aqui. usei uns 150 ml de aquafaba, umas 100g ou menos de chocolate 70% cacau da marca tabajara (quer dizer, neugebauer), um punhadinho de açúcar orgânico, um xó de vinagre de arroz e uns dois pingos de essência de baunilha. o borogodó da aquafaba é batê-la até ficar com consistência de clara em neve, ou seja, até fazer picos. a minha não fez de jeito maneira. acho que foi porque coloquei o açúcar antes de começar a bater. segundo a internete, tem de ir colocando aos poucos depois, quando a coisa já estiver começando a virar espuma. o vinagre serve pra ajudar a aquafaba a aerar e é, na verdade, uma substituição para o creme tártaro. sumo de limão também funciona. enfim, noves fora, mesmo com um merengue de aquafaba meio chôcho, minha mousse ficou linda, aerada e deliciosa. muito boa mesmo. ah sim: aquafaba é água de cozimento de grãos (principalmente grão de bico, favas e feijões – eu usei a água que sobrou do grão de bico que cozinhei dia desses pra fazer hummus).

john zorn – new masada quartet

bom, esse fechou meu pacote sescjazz e me sinto que nem criança em fim de dia de cosme e damião: abarrotada de guloseimas. foi assim que descrevi a experiência do show de ontem pro amigo também impactado: me senti ganhando balinha atrás de balinha, ficando cada vez mais empolgada e animada pra saber qual vai ser a próxima, e ao mesmo tempo cheia de endorfinas potencializando a esfuziância. muito além da inescapável sedução dos temas klezmer que serviam de trampolim melódico, acho que a sensação de ganhar treats o tempo todo veio do absoluto (e abilolado) domínio das possibilidades texturais dos instrumentos por parte dos músicos, principalmente zorn e o guitarrista julian lage (cuja presença já foi um treat, pois já gostava dele solo e não achei que fosse vê-lo por estas plagas). técnica não é tudo, mas fiquei muito embasbacada em testemunhar a desenvoltura do julian principalmente na mão direita, passando de palhetada pra sweeps airosos, e ainda com a esquerda mandando ver nos hammer-ons e pull-offs na maior alegria – o sorriso constante no rosto foi bonito de ver também. a cozinha fabril steampunk do baterista kenny wollesen e do contrabaixista jorge roeder é um assombro, que peso retumbante e contraste textural maravilhoso também. hoje tem de novo e estou seriamente considerando tentar ingresso na hora. baita oportunidade.

 

* a foto eu quibei do insta do sesc.

“bolo” de cousas adocicadas

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passei o fim de semana praticamente só dentro dos 25 metros quadrados deste aqui pardieiro. bode há de surgir aqui e acolá. enfim, pra não permitir que me exceda em trabalhar e procrastinar em posição fetal, fiz algumas coisas na cozinha para o meu eu futuro. fiz arroz com ervilha para acompanhar o feijão que fiz ontem. fiz um pote de molho pântano (com tahine). finalmente, resolvi deixar algo meio doce preparado, caso me dê ganas de açúcar pela semana adentro. o toletinho acima contém: farelo de aveia, leite de coco, chia, essência de baunilha, óleo de coco, damasco seco, cacau em pó, canela, banana amassada, um pouco de açúcar cristal orgânico. a chia foi hidratada no leite de coco. de resto, é só misturar tudo e inserir no forno. ficou melhor do que eu imaginei que fosse ficar.

traseirosa

já estou tão disciplinada na escola militar da poesia concreta (obg marina rima por introduzir essa carinhosa expressão jocular em minha vida) que, no meio de uma tradução de um texto que já tem seus 100 anos, me deparei com rearose e, em vez de dar o salto simples e imediato a ressurgiu, dei um triplo carpado à infâmia valisesca. já está devidamente corrigido.