ravil lapiseiras e canetas

P_20191104_180320

estava fazendo meus fichamentos hoje e notei que as minhas canetas de fichar (que são as mesmas de autografar livro) estavam realmente acabando. fim da reserva, mesmo. aí resolvi ressuscitar minhas canetas não-descartáveis: uma lamy roller ball que ganhei do meu pai há décadas, uma cross tinteiro que ganhei de um ex ryko tem uns 15 anos ou mais e uma lamy esferográfica que me dei de presente quando estava por londres em 2011. perguntei ao guga (aquele site de busca) onde podia achar essas cousas e descobri uma tal casa do projetista aqui perto. foi bem curioso ir até lá, pois estou numa névoa de fenergan e com as pernas inchadas (ah, alergias…) e o fato de a tal casa do projetista ser no 13o andar de um prédio desses imponentes do centro, mas que a gente nunca vê (galeria califórnia) me fizeram achar a coisa toda muito mais kafkaesca do que uma saída para comprar carga de caneta deveria ser. a balconista me avisou que é difícil achar essas coisas e me dirigiu pra uma loja ali na rua xis, logo depois do outro acesso da galeria (que não aquele por onde entrei). o balconista desse outro local não encontrou o que eu queria, mas logo o dono chegou, viu minhas canetas e disse, com ares de segredo: “isso aí só na são joão número 33”. apesar da névoa fenergânica e das pernas embalonadas, resolvi fazer a jornada. já havia saído de casa mesmo. mas antes passei na kalunga só pra tirar teima (a teima provou-se somente teima pois não havia coisa alguma que me servisse, nem as canetas descartáveis tipo nanquim que costumo usar). o caminho até a são joão número 33 foi realmente sofrido, uma descida infernal, só porque o drama ajuda a narrativa (bom é que não foi, afinal, o centrão de são paulo infelizmente não tem atmosfera, mas sim uma nuvem de cocô pulverizado). o local é no edifício martinelli e é só uma portinha. teria batido foto se não tivesse obedecido minha regra de não sacar o celular fora em plena rua em são paulo. mas muito aquilo que se espera, minivitrine cheia de potinhos de nanquim de várias cores, caixinhas forradas de papel camurça e canetas de todos os tipos de ponteira e calibre. quem me atendeu foi – presumo – o dono, um senhor bem idoso que tem ou parece ter kajal estilo maquiagem permanente ao redor dos olhos. enfim, comprei carga pra cross (40 pila) e não tive coragem de comprar pras minhas pobres lamy. quase 50 reais cada carga de lamy, cáspite. por isso voltei com essa vermelhinha aí também, que é uma roller ball fina e custa 3,99. depois eu volto lá pra largar 100 pila em prol das lamyzinhas. saí sem saber ao certo se vale a pena financeiramente e ecologicamente recarregar essas canetas grã-finas. carga também vira lixo, afinal, e acho que o tempo de uso é menor do que o das canetas descartáveis. fim da história, não tem moral nenhuma. ah, mas visitem a ravil lapiseiras e canetas se forem passear por ali. o dono me disse que o movimento diminuiu muito e que inclusive a lamy tinha parado de ser distribuída no brasil porque não tinha representante (não tinha representante porque ficou caro e ninguém mais comprava). mas voltou em capacidade reduzida, pelo que ele disse.

Publicado por

Maíra Mendes Galvão

maquinista.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s