primeiro dia do mar de cortez

estou só em um sovaco do pacífico a um continente e meio de onde nasci. me trouxe aqui um impulso quase perdido, também distante às milhas e léguas, de quando era protozoária aspirante a emília, pernóstica, e via o calipso explorar os mares todos pela caixota da tevê.

suspeito que tenha me trazido aqui também um mar-céu extrapolante do lago-céu de onde nasci e cultivei meus terminais nervosos. no meio disso tudo, me acudo, dou um gole da michelada, penso no que possuem os que me cativam, e vejo que os mais ligeiros e escorregadios têm pouco, coisas com valor simbólico limitado; essas pessoas carregam consigo muito mais do que totemizam: me pergunto se seria um #lifegoal ou algo a se deixar esquecer, quebrar junto com aquela vontade de destruir o caráter, aquela pulsão de morte que não é um desejo de morte, que não é thrillseeking, mas enfim: esses que me cativam amiúde me amiúdam, e aí?

mas me sinto grande e pequena ao perder as dimensões das dimensões em escapes como este, ainda mais viagem por ser cruzamento contumaz de muitas vidas. no df cdmx fiquei besuntadíssima de vida alheia, de outros modos de modular, sonrisas e texturas e tive de me ver desenterrada. sinto falta de companhia mas tenho, esquecido no bolso, um orgulho pobrinho de ser só e de estar encravada neste miúdo de terra, península outra, quiçá a física da minha eterna metafísica – ou uma delas – encarando a possibilidade de ter atravessado estas terras e ares para não poder realizar o riscado deste mundo acá: o mar, aquele de cortez mas que chamo mais de cousteau.

como foi que me saiu isto de sustar aqui as carnes todas nessas já maturações, e mesmo chegando neste élansponto ainda estar longe daquilo que faz deste lugar a tal materialidade do meu duplo?

posso destrancar o espanhol ativo/afetivo que já existe?, que já consta nos meus anais porém espera qualquer coisa, sei que não é mais um gole simplesmente da michelada, mas preciso falar na língua certa sobre peninsular e peninsular até descobrir como chegar à cetaceidade do mar, enquanto pessoa só, sem respaldos, fazer tudo isso de ouvido, porque tenho certeza ab-so-lu-ta de que há um jeito.

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Publicado por

Maíra Mendes Galvão

maquinista.

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