reflexão provocada pelo nascimento do meu sobrinho: quando nasce bebê com vagina, se ela sai gaiteira, ou seja, dando muito pum e arroto, todo mundo faz que não vê (ou limita-se às risadinhas ternas). quando bebê tem pênis, enche-se a boca para dizer que ele peida e arrota com convicção, afinal, “já nasceu bem rapaz”. desejo a ele, ainda tão alheio a todas as convenções a que o vão submeter, muita convicção nesta vida (para ser mole e encouraçado na medida em que desejar) e muita serenidade nos deslizes e abismos (os arroubos mais sentimentais, reservo à esfera pessoal). e às ainda hipotéticas meninas que vão nascer, desejo tudo isso e mais a audácia de crescerem deixando brotar à superfície todos os direitos que se lhe roubam desde antes do nascimento, incluindo o livre exercício de suas funções corporais.

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Publicado por

Maíra Mendes Galvão

maquinista.

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