a escritura da desistência começa do final

e aqui termina a intenção do discurso. acaba a leitura, acaba todo vestígio de vontade. é, então, dispersão. negada está a curvatura proposta, cumprimento e reverência com tendências ao infinito, provisão da voz amorosa. palmas tornaram vazio o parlatório antes mesmo de ser ocupado. um discurso, não atrasado mas de desistência. escutou-se, com as palmas das mãos, o sopro dessa plateia.

o orador engole – quase de véspera – o refluxo ainda não ocorrido, em trânsito. a fala repleta-se de locuções que encabrestam a língua, que fogem ao futuro e de volta ao texto. o antediscurso retumba no primeiro caixilho dentre vários.

replica aquele que fala, a voz é rude, aqui começa a intenção do discurso.

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Publicado por

Maíra Mendes Galvão

maquinista.

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