mergulho no asfalto

que os adereços sejam postos abaixo, um a um. que sejam ignorados e se recolham ao solo. entrincheirados, que se confundam entre eles. que se façam intercambiantes. que incorram – mas não todos – em aniquilação mútua causada por excesso de fricção. que seus restos sejam alçados à superfície pelos remanescentes em um gesto que denuncia a já naturalizada aceitação de sua condição intraterrena; configurando-se, assim, o próprio desterro. que essa já transmutada população quase tuberosa finalmente passe a descobrir o conceito de concavidade e a manipular o solo e criar entremeios. que, nos seminovos entressolos, comecem a se desvencilhar de sua condição intercambiante. que decidam, primeiramente em conjunto e depois por si, quais são os pontos exatos a partir dos quais escavar galerias, conectando apontadas concavidades. que, assim, finalmente se apercebam de que seu aparato mental não é somente um jogo de entidades discretas mas também é um emaranhado de linhas telegráficas e que, afinal, as galerias não se trataram de necessidade mas escolha.

Publicado por

Maíra Mendes Galvão

maquinista.

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