nem poesia nem filosofia, só o flagelo da nossa geração

•terça-feira, julho 7, 2015 • Deixe um comentário

o trabalho abunda (ufa) e a bunda carrega o peso visceral da coisa, enquanto o cérebro passa do trabalho pra isto, do trabalho pra aquilo, do trabalho pra qualquer coisa. fazendo uma pausa pra descarregar montículos de coisas qualqueres aqui pelo posto avançado e pra não ser a pausa do buraco de internet.

***

do caderninho: lista maledicente de nomes pro pessoal que gosta de ficar em cima do muro e se sentir maduro: isentos/moderados/isentões/fodões/baluartes da razoabilidade/soberbos moderados/medianos/passabola/deixadisso

do caderninho: confissão de madrugada pra dormir com uma pitada de raiva e tristeza: às vezes fico marejada pensando em como a vida de um homem me parecia um troço infinitamente fascinante. todas as possibilidades. tudo o que eu não podia ser por não ter nascido homem.

do caderninho: frases quase herméticas e pregnantes e metalinguentes: a palavra deve ser irresistível – em que nível? se a verve cognitiva da pessoa for vernaculosa, a palavra será irresistível não unicamente pela ideia, porque a própria ideia forma-se com consciência vernacular.

do caderninho: outra confissão de madrugada, para se desnudar completamente: se eu fosse ser artista, já o seria. se eu fosse tocar guitarra, já tocaria. o que faltou? resposta simples: prática. resposta teimosa: faltou parar de olhar pro umbigo. faltou abandonar: a mim/aos parcos e pobres amores/às frivolidades de escape. sobrou vaidade. mas pra fazer arte é preciso ter vaidade. uma combinação estranha entre sair de si e ser vaidosa. o que se pode alcançar (não depois mas) a partir dos 34?

das lembranças: algo que a inaê falou: acho que era mais ou menos isso: nossos objetos de desejo muitas vezes confundem desejo com necessidade.

do caderninho, sem autoria: não sei se meu ou se de outrem: there is no point of reference that guarantees meaning. excess energy persists as a dream.

do caderninho: platitudes: qualquer história corre o risco de recomeçar a partir de um sonho.

do caderninho: afirmações pontuais: I’m not meek, not anymore. I’m computing/printing out.

***

do banho: no caderninho:

não vejo o que escrevo como poesia “mesmo”.

não vejo o que desenho como desenho “mesmo”.

não vejo o que digo como opinião “mesmo”.

não vejo nem meus passeios de bici como suficientes pra dizer que ando de bicicleta “mesmo”.

minha comida não é de quem cozinha “mesmo”, ainda que me estimule os sentidos e me entupa.

minha beleza não é beleza “mesmo”. é um ponto de vista.

minhas pernas e meus cabelos, que choque, não são eles “mesmos”.

meus orgasmos são mesmo orgasmos. ou só não são.

o mesmo mais que real é essa vista do tal, do qual, do além, de tudo o que se encerra num “mesmo” e do que se pode dele desgarrar. e desgarra.

bloomsday 2015 – lots o’fun

•terça-feira, junho 16, 2015 • Deixe um comentário

as atividades cerebrais e nevrálgicas se puseram em realimentação neste dia de bloom. entre outros empreendimentos, cometi uma tradução de última hora de um dos trechos de que mais gosto do ulysses. ele fica no capítulo 17, também chamado de ítaca por aí. não que alguém precise de uma nova tradução. aliás, eu não li essa parte em português até hoje e não vou ler agora para não estragar o meu divertimento.

ei-la:

Que espetáculo a eles se mostrou quando os dois, primeiro o dono da casa, depois o convidado, emergiram em silêncio, duplamente obscurecidos, da escuridão por uma passagem que levava dos fundos da casa à penumbra do jardim?

A arvorecéu de estrelas carregada de frutos úmidos de noiteanil.

Com que meditações Bloom acompanhou sua demonstração de constelações várias ao seu acompanhante?

Meditações sobre evolução mais e mais vasta : sobre a lua invisível em lunação incipiente, perigeu próximo : sobre a vialáctea infinita lactiginosa cintilante incondensada, discernível à luz do dia por um observador posicionado no fundo de um poço vertical cilíndrico de 1500 metros de profundidade fincado na superfície voltado ao centro da terra : sobre Sirius (alfa de Cão Maior) a 10 anos-luz (92.000.000.000.000 quilômetros) e em volume 900 vezes a dimensão de nosso planeta : sobre Arcturo : sobre a precessão dos equinócios : sobre Órion com cinturão e sol teta sêxtuplo e nebulosa que comportaria 100 de nossos sistemas solares : sobre estrelas moribundas e nascentes recentes como a Nova em 1901 : sobre nosso sistema mergulhando em direção à constelação de Hércules : sobre a paralaxe ou deriva paraláctica das assim chamadas estrelas fixas, na realidade em motoconstante de éons imensuravelmente remotos a futuros imensuravelmente remotos em comparação com o que os anos, sessenta e dez, da vida humana alocada, formam um parêntese de brevidade infinitesimal.

Houve meditações obversas sobre involução cada vez menos vasta?

Sobre os éons de períodos geológicos gravados nas estratificações da terra : sobre as miríades de minúsculas existências orgânicas entomológicas escondidas nas cavidades da terra, debaixo de pedras removíveis, em colmeias e montículos, de micróbios, germes, bactérias, bacilos, espermatozoides : sobre os incalculáveis trilhões de milhões de moléculas imperceptíveis contidos por coesão de afinidade molecular em uma só cabeça de alfinete : sobre o universo de linfa humana constelado por corpos vermelhos e brancos, eles próprios universos de espaço vazio constelados por outros corpos, cada um, em continuidade, sendo seu universo de corpos componentes divisíveis em que cada um deles é por sua vez divisível em divisões de corpos componentes redivisíveis, dividendos e divisores mais e mais diminutos sem haver de fato divisão até que, se essa progressão fosse longe o suficiente, nada e lugar nenhum nunca seriam alcançados.

Por que ele não elaborou esses cálculos para chegar em um resultado mais preciso?

Porque alguns anos antes em 1886 quando ocupado com o problema da quadratura do círculo ele se informou da existência de um número computado a um grau relativo de precisão de tal magnitude e com tantas casas, isto é, a nona potência da nona potência do 9, que, obtendo-se o resultado, 33 volumes impressos de 1000 páginas cada qual com inúmeros cadernos e resmas de papel da Índia teriam de ser pedidos para conter a fábula completa de seus números inteiros de unidades, dezenas, centenas, milhares, dezenas de milhares, centenas de milhares, milhões, dezenas de milhões, centenas de milhões, bilhões, o núcleo da nebulosa de cada dígito de cada série contendo sucintamente a potencialidade de ser elevada à elaboração cinética máxima de cada potência de quaisquer de suas potências.

Ele considerou o problema da inabitabilidade dos planetas e de seus satélites por uma raça, dada em espécies, e da possível redenção moral e social dessa raça por um redentor, de mais fácil resolução?

De uma ordem diversa de dificuldade. Consciente de que o organismo humano, normalmente capaz de sustentar uma pressão atmosférica de 19 toneladas, quando elevado a altitude considerável na atmosfera terrestre, sofre progressão aritmética de intensidade de hemorragia nasal, falha de respiração e vertigem, proporcionalmente, na medida em que se aproxima da linha de demarcação entre troposfera e estratosfera, ao propor este problema para resolução, ele conjeturou como hipótese de trabalho que não poderia ser comprovadamente impossível que uma raça de seres mais adaptável e de diferente construção anatômica poderia de outro modo sobreviver sob condições suficientes e equivalentes marcianas, mercuriais, venéreas, jupiterianas, saturninas, netunianas ou uranianas, embora uma humanidade culminante de seres criados com formas variadas com diferenças finitas resultando semelhantes ao todo e entre si provavelmente tanto aqui quanto lá permaneceria inalteravelmente e inalienavelmente apegada a vaidades, a vaidades de vaidades e a tudo o que é vaidade.

E o problema da redenção possível?

O menor foi provado pelo maior.

Que diversas características das constelações foram, por sua vez, consideradas?

As várias cores que significam vários graus de vitalidade (branco, amarelo, carmim, vermelhão, cinabre) : seus graus de brilho : suas magnitudes reveladas até e incluindo a 7a : suas posições : a estrela de waggoner : Walsingham Way : a carruagem de Davi : as cintas anelares de Saturno : a condensação de nebulosas espirais em sóis : as rotações interdependentes de sóis duplos : as descobertas independentes sincrônicas de Galileu, Simon Marius, Piazzi, Le Verrier, Herschel, Galle : as sistematizações tentativas de Bode e Kepler de cubos de distâncias e quadrados de tempos de revoluções : a quase infinita compressibilidade de cometas hirsutos e suas vastas órbitas elípticas egressivas e reentrantes de periélio a afélio : a origem sideral de pedras meteóricas : as enchentes líbias em Marte no período do nascimento do mais novo satroscopista : a recorrência anual de chuvas de meteoros por volta do período do dia de S. Lourenço (mártir, 10 de agosto) : a recorrência mensal conhecida como lua nova com a lua velha nos braços : a postulada influência do celeste nos corpos humanos : a aparição de uma estrela (1a magnitude) com brilho superior dominando dia e noite (um novo sol luminoso gerado pela colisão e amalgamação em incandescência de dois exsóis não-luminosos) por volta do período do nascimento de William Shakespeare sobre o delta na constelação recumbente nuncaposta de Cassiopeia e de uma estrela (2a magnitude) de origem semelhante porém menos brilho que apareceu em e desapareceu da constelação de Coroa Boreal no período do nascimento de Leopold Bloom e de outras estrelas de origem (presumidamente) semelhante que (efetivamente ou presumidamente) apareceram em e desapareceram da constelação de Andrômeda por volta do período do nascimento de Stephen Dedalus, e em e da constelação de Auriga alguns anos depois do nascimento e da morte de Rudolph Bloom, júnior, e em e de outras constelações alguns anos antes ou depois do nascimento ou da morte de outras pessoas, os fenômenos colaterais de eclipses, solares e lunares, da imersão à emersão, a redução dos ventos, o trânsito das sombras, a taciturnidade das criaturas aladas, a emergência dos animais noturnos ou crepusculares, a persistência da luz infernal, a obscuridade das águas terrestres, a palidez dos seres humanos.

A sua (Bloom) conclusão lógica, tendo pesado a questão e admitido a possibilidade de erro?

Que não era uma arvorecéu, nem uma grutacéu, nem uma bestacéu, nem um homemcéu. Que era uma Utopia, já que não havia método conhecido que levasse do conhecido ao desconhecido : um infinito, tomável como igualmente finito pela aposição suposticiosa provável de um ou mais corpos igualmente da mesma e de diferente magnitude : uma mobilidade de formas ilusórias imobilizadas no espaço, remobilizadas no ar : um passado que possivelmente deixou de existir como um presente antes de seus espectadores adentrarem de fato a presente existência.

Ele ficou mais convencido do valor estético do espetáculo?

Indubitavelmente em consequência dos exemplos reiterados de poetas no delírio de um furor de apego ou na degradação da rejeição que invoca ardentes constelações simpáticas ou a frigidez do satélite de seu planeta.

Ele aceitou como artigo de fé a teoria de influências astrológicas sobre desastres sublunares?

Pareceu a ele tão passível de ser provada quanto refutada e a nomenclatura empregada em suas cartas selenográficas como atribuíveis à intuição verificável tanto quanto à analogia falaciosa : o lago dos sonhos, o mar das chuvas, o golfo dos orvalhos, o oceano da fecundidade.

Que afinidades especiais parecia-lhe existir entre a lua e a mulher?

Sua antiguidade em preceder e sobreviver gerações telúricas sucessivas : sua predominância noturna : sua dependência satelítica : seu reflexo luminar : sua constância sob todas as suas fases, nascendo e se pondo em seus horários designados, crescendo e minguando : a invariabilidade forçada de seu aspecto : sua resposta indeterminada a interrogação inafirmativa : sua potência sobre águas efluentes e refluentes : seu poder de enamorar, de mortificar, de investir de beleza, de deixar louco, de incitar a e participar na delinquência : a inescrutabilidade tranquila de seu semblante : a terribilidade de sua dominante implacável resplendente propinquidade isolada: seus agouros de tempestade e de calma : a estimulação de sua luz, de seu movimento e de sua presença : a advertência de suas crateras, seus mares áridos, seu silêncio : seu esplendor, quando visível : sua atração, quando invisível.

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dia 12 de junho – sem poema, só matéria prima.

•sexta-feira, junho 12, 2015 • Deixe um comentário

não quero ser princesa.

não quero que me mude.

não quero ser a melhor.

não quero ser a única.

não quero um pedestal.

não quero ser paradigma.

não quero proteção.

não quero ser escudeira.

não quero que me ajude.

não quero seu mapa.

não quero ter dono.

não quero, enfim, ser objeto direto ou indireto, só verbo avulso ou flexionado. quero ser paralela, livre, sincrônica, modal.

não sou diva, sou grande.

um saldo parcial

•sábado, maio 23, 2015 • Deixe um comentário

Minhas decisões são cabais e sempre inexoravelmente sujeitas a mudança. Quando resolvo algo, a atitude que materializa a resolução é de revirar todos os aspectos possíveis relacionados a ela. Se vou para o cerrado mais uma vez, é levando tudo. Não deixo caixas para trás. Não fico com um pé lá e um pé cá. E isso não quer dizer, de maneira alguma, que abandono também a possibilidade de morar em São Paulo mais tempo. Pelo contrário: tudo precisa poder mudar a qualquer momento, tudo é provisório. Isso não é uma regra: é só ansiedade. É o tipo da coisa que a sensatez, a maturidade, qualquer razoabilidade sonhada não podem exatamente mudar. Tudo bem. Passei a ver (agora há pouco, tomando banho) como aprender coisas é algo como desaprender outra coisa. Ainda bem, porque sempre me incomodou esse fantasma metafórico que se fomenta por aí de que o aprendizado é uma curva ascendente. De que para cima significa melhor e para frente significa progresso. A melhor imagem que consigo desencrustar agora é a de que quando se aprende uma coisa, outra está sendo desaprendida, e por sua vez essa coisa aprendida será desaprendida oportunamente e assim a gente vai trocando e pululando essa ilusão de saberes adquiridos e “empilhados”. Uma das minhas falácias favoritas de pescar é justamente essa da pilha – heap –: a partir de quantas folhas de papel se tem uma pilha? E a outra falácia que tenho como hobby pescar é a do escorregador – slippery slope –: quando se chega a uma conclusão rápido demais usando pouca amostragem. Que é a base da maioria dos argumentos desse novo cowardly new world virtual, essa segunda vida que a gente vive. Acho que, no fundo, esse escorregador que tanto me é pruriente é um tipo de ansiedade (too soon?) e minhas tendências de limpar a lousa sempre que passo para uma nova etapa de qualquer coisa são bastante cognitivamente pertinentes a ele. Cáspite? Nah. É produtivo ter essa dinâmica, saber dela, poder falar dela, ter a companhia dela no banho e nos longos passeios de ônibus entre Pinheiros e o Centro. Algumas das coisas que desaprendi em São Paulo (ou que só observei ociosamente) e que soltei aos poucos nos meus seríssimos perfis de segunda vida estão listadas abaixo. Obrigada a todes es envolvides. A grande beleza está nos cinismos entusiasmados, essa urgência de muitas pequenas e grandes mortes.

redenção: que palavra horrenda


[sobre joni mitchell] lembrem-se, crianças: as mulheres, tal como os homens (e todes mais) não têm de ser leves e gostáveis.
a propósito: acho contraproducente chamar essa gênia de musa. ainda que tenha sido, aqui e ali. ela é, sim, genial, habilidosa, deliberada, artífice.


fineza/sofisticação/elegância = conceitos ou preconceitos?


de um comentário de uma pessoa que acabei de excluir: “opressão é uma coisa. síndrome de princesinha é outra.” quantas camadas de falta de noção tem aí?


que vocês acham? parece que nossa geração tá mais preocupada em ser não-convencional do que inconveniente.


a gente vai se despindo e saindo do armário quanto mais envelhece: digo numa boa, hoje em dia (não que minha opinião tenha qualquer impacto): eu acho que, se você é contra a legalização do aborto, das duas uma: ou é ignorante ou uma pessoa ruim.


o texto da minha geração e guiado pelo autoelogio velado. pensei: “jamais conseguiria fazer isso” e logo percebi que acabara de fazê-lo.


segundo lugar: fatalidade ou profecia autorrealizante?


às vezes a gente acha que conseguiu algo por causa de alguém mas na verdade conseguiu apesar de alguém. #boom


andando pela sta. cecília, dia nublado, de óculos escuros. passa um carro: “que sol do caralho!”


li sobre a hilst: “…Hilda tinha então 34 anos, já não era uma menina.” – como é rara a admissão alheia de que a gente não é mais menina.


voltei da padaria com saudade do significado da palavra ‘absurdo’.


lembrei daquela onda de “ócio criativo” quando hoje li a nara falando de raiva inteligente. pensei “ódio criativo”. mas ainda não tá bom.


alguém recomenda boa leitura sobre ódio reabilitado? sobre conflito? ou uma defesa do imoderado? um exposé da razoabilidade?


esbarrei hoje nisso no meio de um blabla: “a profound sense of wrong”. achei lindo.


reflexõessobretweetsalheiosquepoderiamsermeus: o foda de “podia ter sido e não foi” é que, provavelmente, não podia ter sido, senão o teria.


paisagens internéticas: cobrança até perder de vista. monocultura de “eu não disse?!”


esqueço tudo; menos o que quero esquecer. quem mais? põe o dedo aqui.


que coisa mais britânica: o guardian fez uma chamada para que os leitores mandem “your entirely underwhelming eclipse photos”.


sempre vejo amigos postando sobre “o grande fulano” referindo-se a algum amigo ou pessoa que admiram. e as grandes fulanas? come on. :)


people overthink this life shit


rindo dos que gritam “fora paulo freire”, como todes. o que me irrita é a altivez dos baluartes da razoabilidade. a soberba do equilíbrio.


exercício: refira-se a uma mulher como “ilustre” ou “genial” ainda hoje. repita à vontade.


fulano cita musicista que admira. amigos logo começam a falar de musicistas [mulheres], por associação. dica: “mulher” não é estilo musical.


é importante que a luta contra machismos seja feita em nome da justiça às mulheres, e não porque beneficia todo mundo (consequência feliz).


aquela sensação de visão raio-x ao ler manifestações tuíticas e feicebúquicas: tem procedimento. mas é um perigo.


não sei se é virose ou rebordosa da vida


da série “dia internacional da mulher”: conhece uma mulher? ouça-a.


sonhei que tinha neve em brasília e uma guerrilha deixava bombas em origamis


O que se pode alcançar (não depois senão) a partir dos 34?


da série “vida adulta”: as pessoas mais fortes que conheço padecem dos mesmos males que eu, à sua maneira.


quem é sensível às sutilezas tem dimensão das impossibilidades. (sem palpite, kibei do meu próprio fb)


quando você enxerga a cultura machista, vislumbra o que é infinitude. e isso é de enlouquecer, como já sabiam borges e donna noble.


a demência paulistana batendo panelinha em pinheiros. marx não pode nem fazer aniversário que já chamam de petralha.


na internete (assim como na cachola) tudo ESCALATES SO FAST ó vida ó céus ó azar (de ser gente)


falácia do nosso tempo: slippery slope (até pensar em outra coisa do nosso tempo que vai parecer muito maior)


não respeito quem dá de ombros pra cultura do estupro. o que o boko haram fez é o extremo de uma escala cuja média já é inaceitável.

sim, já sei, “slippery slope”. mas a vida real fundamenta.


li que essa luta entre dois idiotas misóginos arrecadou mais grana do que o PIB dos 30 países mais pobres do mundo.


essa vai pras pessoas, principalmente pras mulheres, que chamam as feministas de chatas: amigas, de coração, sem as chatas vocês estariam até hoje sendo negociadas como moeda social/política e casando assim que chega a menarca, entre mil outras coisas. muitas de nós chatas sequer conheceram ou conhecem o termo “feminismo”, mas não importa. os chatos são necessários. quem se incomodar muito, pode me apagar da lista de amigos ou do feed de notícias; não vou guardar rancor. quem quiser reclamar que as chatas de facebook/twitter não servem pra nada, que reclame, mas retruco que cada uma luta do seu jeito: a militância das ideias, que hoje em dia acontece em grande parte nas redes sociais (afinal, é onde a gente vive), também é parte importante do processo, ainda mais considerando como funcionam as coisas. vamos lá: se algo não está na internet, pra nós classemédios, essa coisa basicamente não existe, não é? então.


Nada de sono. Pensando que o apego é sempre obsoleto. Ou uma paralaxe.


deve ser legal consumir qualquer coisa sem se decepcionar por causa de miasmas chauvinistas.


uma vantagem de não ter lá muito crivo deve ser continuar admirando um monte de gente. acaba que tem mais amor quem não enxerga injustiça.


das coisas (fora as pessoas) de SP que farão falta: padarias-boteco; traje casual; resistência não-gourmet.


+ coisas de SP que farão falta: carro não ser assunto (mas mobilidade sim); a maior resistência ao cansaço; o muito ainda misterioso.


uma das coisas que mais me comoveu pessoalmente esses dias foi um seriado sobre duas mulheres de 70 anos.


tá rolando alguma música do jackson 5 aqui na vizinhança do prédio, mas só dá pra ouvir o baixo. tá daora.


Sonhei que talvez ainda tivesse o que não tenho. Sentia medo de não ter mais. // Disse que ficaria. Sumiu. Quando achei de novo, acordei.

uma discreta fábula matinal

•quarta-feira, abril 22, 2015 • Deixe um comentário

hoje li: “there are ways of being wrong that help others to be right.” e pensei que crer estar certo e ajudar efetivamente os outros devem ser inversamente proporcionais. olhei para o horizonte do que já foi e não obtive provas factuais. olhei para o poço das probabilidades e seus miasmas turvaram minha visão. logo pensei em outra coisa que li hoje: “sorry, everyone. it’s a new day.”

[a primeira frase é do ian mcewan e a segunda é do eric jarosinski]

razoabilidade

•quinta-feira, abril 16, 2015 • Deixe um comentário

maduro

moderado

morde duro

se sente menina ou mulher?

•terça-feira, fevereiro 17, 2015 • Deixe um comentário

quais são as diferenças, na vida íntima, entre ser menina e mulher?

1. o desencanto

os encantamentos ficam cada vez mais passageiros, menores, duvidosos.

2. o desalento

antes se bastava, havia alento em si, agora é só exposto e lateja.

3. o despir-se

sair do armário proverbial (sem os paramentos).

4. o mundo desabitado

perceber que a mulher é invisível. toda mulher é sozinha.

5. as desmentiras

uma por uma, seu desfio, sua cadência.

 
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