um saldo parcial

•sábado, maio 23, 2015 • Deixe um comentário

Minhas decisões são cabais e sempre inexoravelmente sujeitas a mudança. Quando resolvo algo, a atitude que materializa a resolução é de revirar todos os aspectos possíveis relacionados a ela. Se vou para o cerrado mais uma vez, é levando tudo. Não deixo caixas para trás. Não fico com um pé lá e um pé cá. E isso não quer dizer, de maneira alguma, que abandono também a possibilidade de morar em São Paulo mais tempo. Pelo contrário: tudo precisa poder mudar a qualquer momento, tudo é provisório. Isso não é uma regra: é só ansiedade. É o tipo da coisa que a sensatez, a maturidade, qualquer razoabilidade sonhada não podem exatamente mudar. Tudo bem. Passei a ver (agora há pouco, tomando banho) como aprender coisas é algo como desaprender outra coisa. Ainda bem, porque sempre me incomodou esse fantasma metafórico que se fomenta por aí de que o aprendizado é uma curva ascendente. De que para cima significa melhor e para frente significa progresso. A melhor imagem que consigo desencrustar agora é a de que quando se aprende uma coisa, outra está sendo desaprendida, e por sua vez essa coisa aprendida será desaprendida oportunamente e assim a gente vai trocando e pululando essa ilusão de saberes adquiridos e “empilhados”. Uma das minhas falácias favoritas de pescar é justamente essa da pilha – heap –: a partir de quantas folhas de papel se tem uma pilha? E a outra falácia que tenho como hobby pescar é a do escorregador – slippery slope –: quando se chega a uma conclusão rápido demais usando pouca amostragem. Que é a base da maioria dos argumentos desse novo cowardly new world virtual, essa segunda vida que a gente vive. Acho que, no fundo, esse escorregador que tanto me é pruriente é um tipo de ansiedade (too soon?) e minhas tendências de limpar a lousa sempre que passo para uma nova etapa de qualquer coisa são bastante cognitivamente pertinentes a ele. Cáspite? Nah. É produtivo ter essa dinâmica, saber dela, poder falar dela, ter a companhia dela no banho e nos longos passeios de ônibus entre Pinheiros e o Centro. Algumas das coisas que desaprendi em São Paulo (ou que só observei ociosamente) e que soltei aos poucos nos meus seríssimos perfis de segunda vida estão listadas abaixo. Obrigada a todes es envolvides. A grande beleza está nos cinismos entusiasmados, essa urgência de muitas pequenas e grandes mortes.

redenção: que palavra horrenda


[sobre joni mitchell] lembrem-se, crianças: as mulheres, tal como os homens (e todes mais) não têm de ser leves e gostáveis.
a propósito: acho contraproducente chamar essa gênia de musa. ainda que tenha sido, aqui e ali. ela é, sim, genial, habilidosa, deliberada, artífice.


fineza/sofisticação/elegância = conceitos ou preconceitos?


de um comentário de uma pessoa que acabei de excluir: “opressão é uma coisa. síndrome de princesinha é outra.” quantas camadas de falta de noção tem aí?


que vocês acham? parece que nossa geração tá mais preocupada em ser não-convencional do que inconveniente.


a gente vai se despindo e saindo do armário quanto mais envelhece: digo numa boa, hoje em dia (não que minha opinião tenha qualquer impacto): eu acho que, se você é contra a legalização do aborto, das duas uma: ou é ignorante ou uma pessoa ruim.


o texto da minha geração e guiado pelo autoelogio velado. pensei: “jamais conseguiria fazer isso” e logo percebi que acabara de fazê-lo.


segundo lugar: fatalidade ou profecia autorrealizante?


às vezes a gente acha que conseguiu algo por causa de alguém mas na verdade conseguiu apesar de alguém. #boom


andando pela sta. cecília, dia nublado, de óculos escuros. passa um carro: “que sol do caralho!”


li sobre a hilst: “…Hilda tinha então 34 anos, já não era uma menina.” – como é rara a admissão alheia de que a gente não é mais menina.


voltei da padaria com saudade do significado da palavra ‘absurdo’.


lembrei daquela onda de “ócio criativo” quando hoje li a nara falando de raiva inteligente. pensei “ódio criativo”. mas ainda não tá bom.


alguém recomenda boa leitura sobre ódio reabilitado? sobre conflito? ou uma defesa do imoderado? um exposé da razoabilidade?


esbarrei hoje nisso no meio de um blabla: “a profound sense of wrong”. achei lindo.


reflexõessobretweetsalheiosquepoderiamsermeus: o foda de “podia ter sido e não foi” é que, provavelmente, não podia ter sido, senão o teria.


paisagens internéticas: cobrança até perder de vista. monocultura de “eu não disse?!”


esqueço tudo; menos o que quero esquecer. quem mais? põe o dedo aqui.


que coisa mais britânica: o guardian fez uma chamada para que os leitores mandem “your entirely underwhelming eclipse photos”.


sempre vejo amigos postando sobre “o grande fulano” referindo-se a algum amigo ou pessoa que admiram. e as grandes fulanas? come on. :)


people overthink this life shit


rindo dos que gritam “fora paulo freire”, como todes. o que me irrita é a altivez dos baluartes da razoabilidade. a soberba do equilíbrio.


exercício: refira-se a uma mulher como “ilustre” ou “genial” ainda hoje. repita à vontade.


fulano cita musicista que admira. amigos logo começam a falar de musicistas [mulheres], por associação. dica: “mulher” não é estilo musical.


é importante que a luta contra machismos seja feita em nome da justiça às mulheres, e não porque beneficia todo mundo (consequência feliz).


aquela sensação de visão raio-x ao ler manifestações tuíticas e feicebúquicas: tem procedimento. mas é um perigo.


não sei se é virose ou rebordosa da vida


da série “dia internacional da mulher”: conhece uma mulher? ouça-a.


sonhei que tinha neve em brasília e uma guerrilha deixava bombas em origamis


O que se pode alcançar (não depois senão) a partir dos 34?


da série “vida adulta”: as pessoas mais fortes que conheço padecem dos mesmos males que eu, à sua maneira.


quem é sensível às sutilezas tem dimensão das impossibilidades. (sem palpite, kibei do meu próprio fb)


quando você enxerga a cultura machista, vislumbra o que é infinitude. e isso é de enlouquecer, como já sabiam borges e donna noble.


a demência paulistana batendo panelinha em pinheiros. marx não pode nem fazer aniversário que já chamam de petralha.


na internete (assim como na cachola) tudo ESCALATES SO FAST ó vida ó céus ó azar (de ser gente)


falácia do nosso tempo: slippery slope (até pensar em outra coisa do nosso tempo que vai parecer muito maior)


não respeito quem dá de ombros pra cultura do estupro. o que o boko haram fez é o extremo de uma escala cuja média já é inaceitável.

sim, já sei, “slippery slope”. mas a vida real fundamenta.


li que essa luta entre dois idiotas misóginos arrecadou mais grana do que o PIB dos 30 países mais pobres do mundo.


essa vai pras pessoas, principalmente pras mulheres, que chamam as feministas de chatas: amigas, de coração, sem as chatas vocês estariam até hoje sendo negociadas como moeda social/política e casando assim que chega a menarca, entre mil outras coisas. muitas de nós chatas sequer conheceram ou conhecem o termo “feminismo”, mas não importa. os chatos são necessários. quem se incomodar muito, pode me apagar da lista de amigos ou do feed de notícias; não vou guardar rancor. quem quiser reclamar que as chatas de facebook/twitter não servem pra nada, que reclame, mas retruco que cada uma luta do seu jeito: a militância das ideias, que hoje em dia acontece em grande parte nas redes sociais (afinal, é onde a gente vive), também é parte importante do processo, ainda mais considerando como funcionam as coisas. vamos lá: se algo não está na internet, pra nós classemédios, essa coisa basicamente não existe, não é? então.


Nada de sono. Pensando que o apego é sempre obsoleto. Ou uma paralaxe.


deve ser legal consumir qualquer coisa sem se decepcionar por causa de miasmas chauvinistas.


uma vantagem de não ter lá muito crivo deve ser continuar admirando um monte de gente. acaba que tem mais amor quem não enxerga injustiça.


das coisas (fora as pessoas) de SP que farão falta: padarias-boteco; traje casual; resistência não-gourmet.


+ coisas de SP que farão falta: carro não ser assunto (mas mobilidade sim); a maior resistência ao cansaço; o muito ainda misterioso.


uma das coisas que mais me comoveu pessoalmente esses dias foi um seriado sobre duas mulheres de 70 anos.


tá rolando alguma música do jackson 5 aqui na vizinhança do prédio, mas só dá pra ouvir o baixo. tá daora.


Sonhei que talvez ainda tivesse o que não tenho. Sentia medo de não ter mais. // Disse que ficaria. Sumiu. Quando achei de novo, acordei.

uma discreta fábula matinal

•quarta-feira, abril 22, 2015 • Deixe um comentário

hoje li: “there are ways of being wrong that help others to be right.” e pensei que crer estar certo e ajudar efetivamente os outros devem ser inversamente proporcionais. olhei para o horizonte do que já foi e não obtive provas factuais. olhei para o poço das probabilidades e seus miasmas turvaram minha visão. logo pensei em outra coisa que li hoje: “sorry, everyone. it’s a new day.”

[a primeira frase é do ian mcewan e a segunda é do eric jarosinski]

razoabilidade

•quinta-feira, abril 16, 2015 • Deixe um comentário

maduro

moderado

morde duro

se sente menina ou mulher?

•terça-feira, fevereiro 17, 2015 • Deixe um comentário

quais são as diferenças, na vida íntima, entre ser menina e mulher?

1. o desencanto

os encantamentos ficam cada vez mais passageiros, menores, duvidosos.

2. o desalento

antes se bastava, havia alento em si, agora é só exposto e lateja.

3. o despir-se

sair do armário proverbial (sem os paramentos).

4. o mundo desabitado

perceber que a mulher é invisível. toda mulher é sozinha.

5. as desmentiras

uma por uma, seu desfio, sua cadência.

acuidade vulnácula

•terça-feira, fevereiro 10, 2015 • Deixe um comentário

fibromiasma no lugar de leito

a cabeça de penas e lacunas

um aperto nas conas – a de nervo e a de sangue

– melindroso fez visita

impromptuosa

lancina ancora cona-píncara

e retorna, anacruz.

filosofia de facebook e outros caco(ete)s

•terça-feira, fevereiro 3, 2015 • 4 Comentários

fiz um apanhado das coisas que andei declarando naquela nossa relutante casa

a coragem de quebrar o mistério


ter solidariedade e praticar companheirismo é muito difícil para muitos – embora sejam, na minha opinião, sinais de cuidado e carinho muito mais reais do que “dar conselhos” o tempo todo, que é o que muito se faz em nome de ser cuidadoso com o outro.


em um mundo desigual, a presunção de “bom senso” é basicamente manutenção de privilégio.


Facebook: onde até demonstrar maior interesse por coisas importantes é taxado de modinha.


gente que nunca sai por baixo de situação alguma: inspiração ou vespeiro?


busco: manobras catárticas


filosofia de facebook do dia: se diz que quanto mais você se desvencilha da influência dos outros, mais verdadeiro você é. que verdade é essa que só aparece quando se tenta desvencilhar daquela coisa que faz a gente mais gente, que é o coletivo? dá pra fazer analogia com habitat natural vs laboratório? não gosto muito de analogias.


Para quem está acompanhando a saga: Fortunata, a Twinga, está nos estertores. Não chegará a SP. Voltou a dar problema. A dona ainda não sabe exatamente o que fazer. Mas os descaminhos – de gravidade moderada – são certamente escolhas para acelerar um crescimento por demais tardio. Apostar no desconfiável para mergulhar em líquido revelador. A figura sai ainda desfocada – menos nos olhos.


quem sacraliza embrião e adora um biologismo: pela própria lógica, é tudo fruta. ;)


gente… me desculpem os posts meio confessionais – ou quase – de ultimamente, mas… 2014 esteve intenso e fechou brutal, e 2015 começou sem trégua. como vejo que é pra todo mundo, tomo a licença. sou a favor demais do conflito, de encarar as coisas feias da vida e tudo o mais. tem hora que reviro as órbitas pra slogans do tipo “mais amor por favor”. mas vamos lá. sem cinismo. também acho que a gente vê o outro pouco demais. a gente se acostumou. e tem falta de carinho, falta de generosidade. caracas. quanta gente morrendo cedo. nunca é tarde pra valorizar as pessoas (difíceis, lindas, falhas, inescrutáveis como todes nós) e os momentos produzidos por elas. sou meio econômica nos abraços às vezes, mas quero melhorar isso. literal e metaforicamente.


Filosofia de botec… ops, Facebook do dia: a gente se aventura unido mas se fode sozinho.


pessoas de grupos privilegiados tendem a reagir quando confundem a crítica à estrutura do privilégio com deslegitimação de seus problemas pessoais (tou sendo poliana demais?)


para entender o que é privilégio, é preciso olhar para o invisível.


uma das poucas coisas de que gosto desde criança é o esconderijo.


escrever é tão difícil porque tudo é tão variável. por isso prefiro inventar regras autoportantes.


aquela velha história: olhar para trás e ver com olhos abrilhantados o que antes parecia opaco. ser autocrítico deveria ser proibido no presente e funcionar apenas retroativamente. tive medo de abrir meus blogs antigos e encontrar muito sangue no olho, mas achei coisas vivas, seiva circuladora, passeando alheia aos meus desenganos. ê lerê.


que lástima que ‘patético’ passou a ser usada pejorativamente. tantas boas possibilidades… que saco esse mundo paudurescente.


eu gosto de envelhecer


‘tradição’ vem do latim traditio, que significa transmitir, passar algo a alguém. às vezes o lado dinâmico dessa família de palavras é esquecido.


(‘cotejar’ me lembra uma saúva andando com um certo rebolado: “lá vai a formiguinha cotejando”)


dica (principalmente para acadêmicos e jornalistas): diferença não é contradição.


(das versões de all things must pass) mudança talvez seja o ápice da consistência – dadas milhões de ressalvas – mas essa opinião é provisória. quando mudança não ocorre, é uma espécie de mudar em si mesma. as coisas mudam, mesmo quando mudam para o (aparentemente) mesmo.


quero todos os tempos


bati minha pinça nas palhinhas da cadeira meio sem pensar e percebi que tinha uma nota. minha pinça-diapasão é em ré. hehehe (ou ré ré ré)


aprendi a ler no colo do meu avô, antes do tempo; tinha pressa e ele sabia. tive o privilégio de ser primeira neta e editora – como ele gostava de dizer – desse homem admirável, patriarca de uma família linda e cheia de amor. ele se foi ainda cheio de vida, fazendo planos, grande em ideias e letras, in media res, pois alguém assim não acaba nunca.


Tenho a impressão de que a função do Facebook ainda será (já quase é) a de validar pensamentos e atitudes. Que a pessoa sente que precisa postar para ter de fato pensado em algo ou, mais frequentemente, reclamado de algo, elogiado alguém etc. Metapostando no JK, câmbio.


incidentes de escutar música barroca italiana: você ouve a cantora lamentando: “tu sei fudido, sei lá, sassarica”.


is a human trampoline


tomei um monte de coca zero e fiquei maquinando


depois de 31 longos anos, finalmente consegui entender que não há uma mente brilhante nesta cabeça. (o que ajuda a provar o ponto). e agora? já posso ser rica? (leia-se: criança classe média sempre se acha no direito de algo, se não é ser um gênio é ser endinheirada)


some people’s lives consist of little else but an enormous unaware effort towards pleasantries. they are well oiled machines of pleasant utterances, platitudes and the right amount of learned attitude. I’ll bet they’re really happy.


ai mas é tanto bla bla bla nessa vida neste mundo nesta cachola. tem razão pra tudo. pelo menos umas 4 ou 5 pra cada coisa. rrraios!


agora toda vez que eu como, depois que a fome tá saciada, penso que deveria ter comido arroz e feijão. a não ser quando como arroz e feijão.


She has no inhibitions to try to make things happen — even though she may come out of it badly


precisa-se: mentor(a)


de um modo

espaço tomado por azul adelgaçante

silente. cioso.

militimbrado


nem todo virtuosismo é estéril e nem tudo o que vem cru das tripas é aproveitável


pagar pra ver: realização de complexidade inerente?


trabalhando e pensando besteirol: os aviões quando se deslocam deixam uma esteira de turbulência, que é um vortex de ar. daí me lembrei de uma história segundo a qual, quando alguém solta pum e anda, vai fazendo um vortex atrás de si (e por isso que recomendam uma retirada a la siri, de lado, quando isso ocorre). pois é, gente, quando estiverem andando no xopis nessa época de natal, cheia de gente, tomem cuidado com as esteiras de turbulência! recomendo aplicar mínimos de separação razoáveis.


por que todo mundo que canta samba abre os braços que nem o cristo redentor?


das palavras que cunhei: “clitorintumescência”


Homem na fila: “minha namorada tem 94 anos. Dança forró a noite toda. E come uma rapadura inteira!”


quando jornalista usa “rapaziada”, pode crer que é pra falar de algo sobre o que ele nada entendeu.


eu faço assim, assim e assado. boa noite.


se diz por aí que a felicidade está nas pequenas coisas. coisas pequenas como status de facebook também? acho que não. e a grandeza das pessoas, está nas peculiaridades? hm. não sei, e se todas as peculiaridades são celebradas ad nauseam? e a verdade feia por trás da motivação de declarar em feed público essas supostas e supérfluas peculiaridades? que fazer com esse ruído ao fundo?


pessoal de brasília: joga diabo verde nesse ralo aí. tou chegando domingo e nado mal.


acho bizarra essa moda de vídeo de “unboxing”. aliás, “box” é gíria para vagina, então ninguém me convence de que não há algo de perverso aí.


NEUTRALIDADE não serve pra porra nenhuma quando o desequilíbrio já existe. GET OVER IT.


gente, só esta semana (e ainda é quinta) já me impedi várias vezes de postar coisas apontando defeitos da vida, do ser humano, da embalagem de goiabada, do ego, dos outros, de tudo. tem hora que dá muito medo do espírito do nosso tempo.


quem ama, peidoa


hoje vi o trajano vieira dizer, com a maior veemência e sincera surpresa: “teve uma inglesa, vejam bem, uma MO-ÇA! que fez uma tradução belíssima de homero […]” (acho que ele confundiu: achou que moça quer dizer “poodle”, sei lá)


depois de uns anos de uso de facebook, minha conclusão é: adultos não existem.


outro dia sonhei que fazia trapézio. logo eu, que tenho medo de altura e pouca propensão natural às atividades físicas, além de ser monocular e ter uma capacidade duvidosa de calcular distâncias. mas era bom demais, no sonho.


comofas: ser descrente e precisar de uma iluminação divina?


a imobiliária se chama moura dias.


reflexão provocada pelo nascimento do meu sobrinho: quando nasce bebê com vagina, se ela sai gaiteira, ou seja, dando muito pum e arroto, todo mundo faz que não vê (ou limita-se às risadinhas ternas). quando bebê tem pênis, enche-se a boca para dizer que ele peida e arrota com convicção, afinal, “já nasceu bem rapaz”. desejo a ele, ainda tão alheio a todas as convenções a que o vão submeter, muita convicção nesta vida (para ser mole e encouraçado na medida em que desejar) e muita serenidade nos deslizes e abismos (os arroubos mais sentimentais, reservo à esfera pessoal). e às ainda hipotéticas meninas que vão nascer, desejo tudo isso e mais a audácia de crescerem deixando brotar à superfície todos os direitos que se lhe roubam desde antes do nascimento, incluindo o livre exercício de suas funções corporais.


Eusoueusoueusoueusouaaaaaaaaamasaspessoassãoaspessoassãoaspessoasaspessoasaspessoastemgentequetemgentequetemgentequemaseeeewweunãoeusoueusoueusou


tarra aqui pensano… mils artigos por aí nos sites nerds de que gosto falando sobre como o público já está pronto para personagens de “mulheres fortes”; ok. todo mundo já sabe que sempre reclamo dessa história de que mulher forte = parecida com homem (leia-se: forte fisicamente ou turrona ou que faz coisas que homem faz segundo a sociedade, tipo consertar coisas e ter poucas emoções). daí pensei: e por que as personagens femininas que já temos, as “não-fortes”, não são fortes, afinal? acho que tem (grosso modo) duas coisas: uma é que elas são personagens mal desenvolvidas, então são fracas enquanto personagens; nem é possível analisá-las como “personalidades” fictícias. o que representam não é uma pessoa, enfim, mas outras coisas como estereótipos, fantasias, totens. a outra resposta é que esse “forte” ditado por aspectos considerados masculinos é simplesmente o tido como forte pela própria cultura que determinou o que é forte e o que é fraco. então é claro que essa classificação seria enviesada mesmo que as personagens fossem, de fato, melhor desenvolvidas em sua pessoidade fictícia.


vendo uns e outros curtas atuais (e até longas também), comecei a perceber um padrão: muitas protagonistas mulheres são filmadas sob uma perspectiva bastante voyeurística (aparecendo nuas ou não), que cria uma atmosfera de mistério e sedução, que cria, sem explicar o porquê, a impressão de um ser tão belo e complexo que não é exatamente uma mulher, uma pessoa, mas sim um unicórnio: uma fantasia. agora, não quero dizer que esse tipo de personagem não possa nunca existir. mas desejo que se crie mais protagonistas mulheres que sejam personagens desenvolvidos, com nuances e aflorações, com tudo. ou seja, que sejam mais gente e menos unicórnio. e talvez, por que não, mais personagens masculinos vistos voyeurísticamente.


um carro não basta. preciso de uma tardis.


não aguento quando escrevem “pré-conceito” como se fosse grande novidade que “preconceito” contém o prefixo “pré” e esse prefixo de fato serve um propósito.


devagar e sempre, a vida me convenceu de que maldade existe. o próximo passo parece ser me convencer de que ela é predominante.


uma dica pruzomi que “elogiam” as mulheres que bebem uísque ou escutam frank zappa ou qualquer outra coisa associada com um gosto masculino. uma dica por partes. 1. você está assumindo que o gosto “masculino” é melhor. 2. esse gosto não é masculino, somente socialmente construído como masculino, na pior das hipóteses. 3. ao fazer isso, você está dizendo que as outras mulheres são piores, ou seja, tentando elogiar uma mulher colocando as outras como inferiores. cuidado que a sororidade te pega pra capar! ;) 4. ao fazer isso, você limita sua própria gama de possibilidades. e se um dia você quiser beber um cosmopolitan? não vá me dizer que isso é coisa de mulherzinha como se fosse um xingamento, fazendo favor. 5. eu sei que alguns de vocês elogiam, mas, lá no fundo, secretamente, estão pensando que a mulher é poser e faz isso pra imitar, pra agradar. minha dica é: vá pro raio que o parta.


unconscious biases: todo mundo tem, que nem um ocasional chulezinho.


espírito de fuçância

jogral

•segunda-feira, junho 16, 2014 • Deixe um comentário

recapitulo: sem esmerilhar, com soluços episódicos

 

episódio: capitaneio no mar incluso, for a fortnight

 

soluciono: jogo sem tabuleiro, mate por escanteio

 

entabulo: peças pelos cantos, brados pelas cordas

 

e as duas margens não se fizeram encontrar na terça.

 
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